The Judicial System Monitoring Programme (JSMP) was set up in early 2001 in Dili, East Timor. Through court monitoring, the provision of legal analysis and thematic reports on the development of the judicial system, and outreach activities, JSMP aims to contribute to the ongoing evaluation and building of the justice system in East Timor. For more information, please email us at info@jsmp.minihub.org O Programa de Monitoramento do Sistema Judicial (JSMP) foi constituído no início de 2001 em Dili, Timor Leste. Através da monitorização do trabalho dos tribunais e da elaboração de análises legais e de relatórios temáticos sobre o desenvolvimento do sistema judicial, o JSMP espera poder contribuir para a avaliação contínua e para a construção do sistema de justiça em Timor Leste. Para informação adicional, email: info@jsmp.minihub.org Program Pemantauan Sistem Yudisial (JSMP) dibentuk pada awal tahun 2001 di Dili, Timor Leste. JSMP bertujuan untuk memberikan kontribusi terhadap kelangsungan pembangunan dan evaluasi sistem peradilan di Timor Leste melalui pemantauan pengadilan, penyediaan analisis hukum dan laporan-laporan tematis terhadap perkembangan system yudisial. Untuk informasi lebih lanjut, email: info@jsmp.minihub.org
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Last modified: 28 June, 2004
O Mandado de Captura de Wiranto Interferência Política no Processo dos Crimes Graves

Comunicado à Imprensa: 22 de Junho de 2004

O decorrer do processo dos crimes graves sofreu mais um golpe a que dificilmente se podia ter dado ao luxo. Devido à precária situação económica de Timor Leste, o Presidente da República e o Governo consideram ser muito mais importante manter boas relações com a Indonésia do que responder à vontade de se fazer justiça reivindicada pela população. Uma imagem de peso diz mais do que mil palavras: o abraço sorridente de dois antigos inimigos em Bali, o Presidente Xanana Gusmão e o antigo General Wiranto. Contudo, por todo Timor Leste, vítimas demonstram bastante menos vontade de abraçar os antigos inimigos. A tensão mantém-se nas comunidades onde os agentes dos crimes vivem lado a lado com as vítimas, e as pessoas continuam à espera da justiça que lhes foi prometida pelas Nações Unidas (O.N.U.). Muitos são também os que receiam o regresso de antigos membros das milícias da Indonésia causada pela diminuição da presença da O.N.U e pela sua saída eminente.

Não pode haver verdadeira reconciliação entre a Indonésia e Timor Leste enquanto não for feita justiça. Até lá, demonstrações públicas de afecto para com Wiranto podem assegurar a viabilidade económica de Timor Leste a curto prazo, mas também semeiam as sementes para futuras tensões e põem em perigo a criação no futuro de um sistema judicial potencialmente mais eficiente. Os actos do Presidente Xanana Gusmão têm lugar num momento crucial. O Secretário-Geral das Nações Unidas está a atrasar a criação de uma Comissão de Peritos para analisar os julgamentos dos dois tribunais ad hoc, o Tribunal dos Direitos Humanos em Jakarta e do Colectivo para Crimes Graves em Dili. Caso este órgão considere que os julgamentos destes tribunais não foram capazes de estabelecer a culpa dos responsáveis, então aumenta a possibilidade de obter apoio internacional para futuros julgamentos. Mas dada a atitude de “esquecer e perdoar” do Governo de Timor Leste e o receio extremo de países como os Estados Unidos de ofender a Indonésia, a comunidade internacional tem todas as razões para deixar Timor Leste sair do radar da justiça penal internacional.

O mandado de captura nacional de Wiranto ilustra a complexidade da situação. O mandado foi ordenado por um juiz internacional financiado pela O.N.U. a 10 de Maio de 2004, a actuar sob a autoridade do poder judiciário de Timor Leste. No dia seguinte, o Procurador Geral da República pediu autorização para alterar a acusação de Wiranto, muito provavelmente numa tentativa de revogar o mandado. Há fortes indícios de que os actos do Procurador Geral se deveram a intensas pressões políticas. Há um ano atrás tinha apoiado a acusação de Wiranto e a sua mudança de posição foi sem dúvida influenciada pelas declarações do Presidente a criticar o mandado. Todavia, neste momento, o mandado continua em vigor uma vez que o Tribunal recusou o pedido do Procurador Geral.

Este mandado não terá consequências a nível internacional a menos que o Procurador Geral decida comunicá-lo à INTERPOL. Neste momento o Procurador Geral afirma que não o fará. Mas isso é algo de diminuta importância já que a INTERPOL é fundamentalmente uma rede de comunicação que actua com base na cooperação entre os estados membros e não tem autoridade para obrigar um país a entregar os suspeitos. Contudo, outras possibilidades existem para julgar Wiranto se ele viajar para o estrangeiro, tal como o julgamento num país terceiro, possivelmente com base no conceito de direito internacional de jurisdição universal.

A tentativa de revogar o mandado contra Witanto é compreensível, mas não justificável. Wiranto é um candidato de grande peso nas próximas eleições presidenciais Indonésias, e o mandado sem dúvida que coloca Timor Leste numa posição difícil. Parece contudo que o Presidente e o Governo foram longe demais para agradar, em vez de acalmar a Indonésia. Em vez de minimizar o impacto da situação com Wiranto, o Governo ignorou a vontade do povo de ver justiça ser feita, subvertendo por completo o processo de crimes graves e potencialmente prejudicando o futuro apoio internacional de julgamentos.

Talvez a esperança para julgamentos eficazes esteja numa mudança dramática na política Indonésia de cooperação na entrega de suspeitos. Isto pode levar 10 anos ou mais. A menos que o Governo de Timor Leste apoie o julgamento de Indonésios, a possibilidade de realização de julgamentos no futuro está grandemente diminuída.

É alarmante que a situação de Wiranto possa ter criado um dano irreparável nas relações entre os procuradores da O.N.U. e o seu superior, o Procurador Geral. A JSMP crê que pelo menos um procurador se demitiu por este motivo. A JSMP reconhece que neste momento se vive uma complexa situação política contudo, é essencial para os julgamentos presentes e futuros de crimes contra a humanidade que ambas as partes trabalhem juntas. No mínimo, ambas as partes necessitam de desenvolver um sistema de preservação de prova e uma estratégia eficaz para o término da intervenção internacional em Maio de 2005.

A JSMP receia interferência política na situação de Wiranto. A decisão de ordenar um mandado contra Wiranto não é uma questão do foro governamental mas sim uma questão a ser tratada num tribunal judicial. Sempre que o governo interfere com o processo judicial, diminuem-se o Estado de Direito e a democracia. Os procuradores de Timor Leste, quer sejam financiados pela ONU quer não, devem estar livres de interferência política para poderem desempenhar os seus cargos de acordo com a lei. Caso contrário, são violadas as provisões constitucionais referentes à independência judiciária, à adopção de princípios legais internacionais e da função do Estado de garantia de direitos fundamentais aos cidadãos. Assim a JSMP encoraja as vítimas a procurarem remédios através dos tribunais de forma a assegurarem a protecção dos seus direitos constitucionais.

É difícil subestimar a importância da Indonésia para o futuro de Timor Leste. Contudo, só com um processo judicial eficaz para os crimes cometidos durante e depois da ocupação Indonésia pode ser iniciada uma verdadeira reconciliação. Tudo o que seja inferior a isto, conduzirá a uma insatisfação popular generalizada e a tensões na comunidade.

end
Copy Right: JSMP-DIli, June 2004