Boletim
de Prensa JSMP
24 Março 2004
Pela
Segunda Vez, O Painel Especial Para Crimes Graves Absolve Um Reu
No dia 23 de
Março de 2004, o Painel Especial para Crimes Graves pela
segunda vez absolveu um réu de todas as acusações.
Carlos Ena, alegado um membro da Militia Sakunar em Oecussi foi
considerado não culpado do assassinato de Ernesto Lafu e
Vicente Quelo e outros actos inhumanos, como forma de crimes contra
a humanidade. Em este mesmo caso, Umbertus Ena, irmão de
Carlos Ena, foi considerado culpado sob a mesma acusação.
Ele foi sentenciado a 11 anos de prisão com um ano e nove
meses reduzidos da sua pena pois já haviam sido servidos
durante o processo.
O Painel de três
juízes, composto pelos Juízes Slyver Ntukamazina (Presidente),
Siegfried Blunk e Maria Natersia Gusmão, depois de examinar
toda a evidencia decidiu que não havia provbas suficientes
para a condenação de Carlos Ena. O Painel ainda virá
a publicar suas razões.
O
advogado de Carlos Ena, Allan Gutman, argumentou um caso forte que
criou dúvidas sobre a presença do acusado na cena
do crime quando os crimes aconteceram. Uma das testemunhas da defesa
declarou que Carlos Ena não fazia parte do grupo que cometeu
o ataque, mas que ele próprio estava presente. Ao declarar
isto, esta testumunha implicou-se em estes crimes. Em seu argumento
final, a defesa argumentou que o procurador ainda não havia
investigado o envolvimento desta pessoa nestes crimes. Quando contactado
pelo JSMP, o procurador respondeu que não era necessário
outras investigações neste caso pois a procuradoria
já havia obtido outras declarações que trouxeram
dúvidas ao envolvimento desta testemunha.
O
JSMP preocupa-se com o facto que Carlos Ena esteve em detenção
por aproximadamente 16 meses – desde maio 2002 até
setembro 2003 – durante este processo. O Tribunal de Recurso
em setembro de 2003 decidiu que Carlos Ena deveria responder o processo
em liberdade condicional. JSMP acredita que a absolvição
de Carlos Ena deveria resultar na revisão dos requerimentos
de detenção pela Unidade de Crimes Graves e as decisões
do Painel em casos de detenção de acusados. JSMP é
da opinião que a libertação condicional de
Carlos Ena era mais apropriada em este caso, particularmente pelo
facto de que o acusado estava preparado a viver em Dili, e não
em Oecussi, durante o julgamento.
Ainda
há outras considerações que devem ser salientadas
em relação a este caso. Por exemplo, declarações
de testemunhas feitas à Unidade de Crimes Graves deram duas
versões contradictórias dos eventos. O JSMP acredita
que investigações sobre o porquê destas contradições
poderiam ter resultado no abandono das acusações contra
Carlos Ena, prevenindo sua longa detenção. Ainda,
autópsias e relatórios médicos foram somente
submetidos depois do início do julgamento. A tardia destas
evidencias cruciais traz em questão o procedimento de investigações
da Unidade de Crimes Graves neste caso.
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