Díli, 21 Ago (Lusa) - O Conselho
de Ministro de Timor-Leste aprovou hoje o plano de reactivação
da polícia que, de acordo com o primeiro-ministro
José Ramos-Horta, ficará sob a responsabilidade
do comissário português Antero Lopes.
Antero Lopes, ao serviço da ONU,
vai comandar interinamente a partir de Setembro a próxima
missão da UNPOL e ficará responsável
pela reactivação da polícia timorense
num processo que decorrerá com o apoio do Ministério
do Interior, disse Ramos-Horta no domingo à agência
Lusa.
No Conselho de Ministro de hoje, o executivo
timorense discutiu o plano de reactivação explicado
por "elementos da polícia internacional que se encontram
a actuar em Timor-Leste", numa apresentação
feita a convite do Estado timorense e na sequência
dos incidentes de Abril e Maio deste ano.
De acordo com o comunicado do Conselho de
Estado, o plano projectado pelos polícias internacionais "passa
pelo desenvolvimento de um processo justo e transparente
que investigue a actuação dos agentes da Polícia
Nacional de Timor-Leste (PNTL) durante a crise vivida recentemente,
de forma a poder integrá-los de novo e assim reconstruir
a polícia civil timorense".
O objectivo principal do processo é "identificar
que agentes podem voltar de imediato ao serviço e
os que de algum modo estiveram implicados em acções
que recaem no âmbito da acção disciplinar
da PNTL ou mesmo sob a alçada criminal", refere a
mesma nota.
O documento refere ainda que o Conselho
de Ministros volta a reunir-se na terça-feira para
discutir e aprovar o "modelo em que será efectuada
a fiscalização à PNTL", tendo mandatado
os dois vice- primeiros-ministros, a ministra da Administração
Estatal, o ministro e o vice-ministro do Interior e ministro
da Justiça para "definirem em conjunto qual a melhor
opção para efectivar uma rigorosa e extensiva
averiguação a todos os agentes da PNTL".
Os ministros do Governo de Ramos-Horta discutiram
também o programa de reintegração da
população intitulado Simu Malu e que visa melhorar
as condições de segurança no país,
criar um ambiente de promoção de diálogo
nas várias comunidades e acabar com a violência.
Timor-Leste tem cerca de 186 mil deslocados,
dos quais 82 mil só em Díli - espalhados por
56 centros, Ainda numa "fase inicial" como sustenta o comunicado
do Conselho de Ministros, o programa está a ser desencadeado
pelos Ministérios do Trabalho e da Reintegração
Comunitária, da Administração Estatal
e do Interior, e inclui três vertentes: protecção
da população, apoio aos deslocados e promoção
do diálogo.
Entre as medidas anunciadas conta-se o apoio
financeiro a quem desempenhe pequenos serviços comunitários,
criação de um telefone de reclamações,
promoção do diálogo comunitário
e realização de actividades culturais e desportivas
destinadas essencialmente aos jovens.
Na reunião foi ainda discutida a
descentralização e financiamento do Governo
local que visa a substituição dos 13 distritos
em municípios tendo, segundo fonte contactada pela
Lusa, tendo sido referida a criação de mais
de 30 câmaras municipais espalhadas pelo país.
A concretização do plano está a
ser analisada em projectos- piloto nos distritos de Lautèm
e Bobonaro estando prevista a sua aplicação
ao longo do ano fiscal que termina em meados de 2007 para
os distritos de Aileu e Manatuto.
"Com a descentralização fiscal,
procura-se gerir a despesa pública de uma forma mais
efectiva e eficiente e vocacionada sobretudo para a resolução
de problemas concretos dos cidadãos", refere ainda
a nota do Conselho de Ministros.
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