| O Caso
Lolotoe
Pouco Progresso no trabalho do Colectivo
para Crimes Graves
Comunicado à imprensa: 12 Julho 2004
À
medida que o processo dos crimes graves se aproxima do fim das investigações
em Setembro do corrente ano e do fim dos julgamentos em Maio de
2005, torna-se necessário que haja uma avaliação
minuciosa dos casos do Colectivo para Crimes Graves de forma a apurar
se este processo alcançou justiça e atribuiu responsabilidades.
Neste sentido, o JSMP está a divulgar o relatório
“O Caso Lolotae: Um Pequeno Passo em Frente”, uma análise
detalhada sobre se o julgamento respeita os padrões internacionais
do direito a um processo equitativo e uma discussão dos pontos
de interesse suscitados pelo caso.
O caso Lolotoe
involve três julgamentos distintos: o de João Franca
da Silva, também conhecido por Jhoni Franca, Sabino Gouveia
Leite e José Cardoso Ferreira, também conhecido por
Mouzinho, que chegaram ao fim em Abril de 2003. Os arguidos foram
acusados de diversos crimes contra a humanidade incluindo homicídio,
violação, detenção, tortura e tratamento
desumano. Todos três foram condenados, sendo que dois dos
arguidos confessaram os crimes depois de chegarem a um acordo de
redução de penas e de serem retiradas algumas das
acusações. A Unidade para Crimes Graves reconheceu
este caso como um dos dez que requeria tratamento prioritário
e tem importância acrescida por ser o primeiro caso em que
um arguido foi julgado e condenado por violação como
crime contra a humanidade pelo Colectivo para Crimes Graves.
Este relatório
realça as principais falhas do julgamento tal como os períodos
prolongados de prisão preventiva, atrasos sucessivos ao longo
dos julgamentos e a desigualdade patente entre o advogado de defesa
e o Ministério Público. De modo geral, o Caso Lolotae
ilustra as deficiências do tribunal ao lidar com confissões
dos arguidos e a necessidade de desenvolver a análise dos
casos de violação. Apesar destes aspectos negativos,
o relatório louva o Colectivo para Crimes Graves por ter
conseguido um muito esperado melhoramento quanto aos padrões
gerais de julgamento, nomeadamente progresso na qualidade em geral
do patrocínio judiciário e dos argumentos jurídicos,
redução de problemas emergentes da tradução,
e uma organização mais profissional do tribunal.
Contudo, mais
preocupante é a continuação da impunidade daqueles
que ocuparam posições de chefia e que são por
isso potencialmente responsáveis pelos actos dos arguidos.
De momento, só aqueles que ocupavam baixas posições
hierárquicas foram responsabilizados pelos seus actos e cumpriram
penas de prisão. Os que orquestraram a onda de violência
continuam livres e, em certos casos, estão ao serviço
activo na Indonésia. Caso esta situação persista,
a versão integral dos acontecimentos respeitantes a crimes
contra a humanidade praticados em Lolotae virá a público
e aqueles que possivelmente são os maiores responsáveis
escaparão à justiça.
Com o aumento
da pressão que está a ser exercida junto do Secretário
Geral da O.N.U. para anunciar a criação de uma Comissão
de Peritos competente para examinar casos do Colectivo para Crimes
Grave e dos julgamentos de direitos humanos em Jakarta, o JSMP espera
que este relatório mostre a fundo as falhas do processo para
crimes graves e a necessidade urgente de uma revisão independente
de alto nível. A menos que isso aconteça, a situação
injusta de três membros das milícias que ocupavam posições
relativamente pouco importantes terem sido condenados, enquanto
oficiais indonésios vivem em impunidade permanente irá
persistir. Além de ser essencial para providenciar justiça
significativa ao povo de Timor Leste, a criação desta
Comissão é essencial para manter a integridade da
O.N.U. e a do direito penal internacional.
-end- |